A Inteligência Emocional e a Gestão de Riscos Psicossociais na NR-1

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Escrito por Marcia Gonçalves | Especialista em Neurociência do Comportamento, Inteligência Emocional e Clima Organizacional

A modernização da Norma Reguladora nº 1 (NR-1), ao estabelecer as diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), deixou claro que o bem-estar do trabalhador vai além da integridade física. Nesse cenário, os riscos psicossociais emergem como um desafio crítico, e a Inteligência Emocional surge não apenas como uma habilidade interpessoal, mas como uma ferramenta estratégica de prevenção e gestão.

1. O que são riscos psicossociais no contexto da NR-1

A NR-1 define que as organizações devem identificar, avaliar e controlar os riscos presentes no ambiente de trabalho. Os riscos psicossociais são aqueles decorrentes de deficiências no design, na organização e na gestão do trabalho, bem como de um contexto social desfavorável. Eles podem causar danos psicológicos, sociais e físicos, como o estresse ocupacional, a síndrome de Burnout e transtornos de ansiedade.

Fatores como carga de trabalho excessiva, falta de autonomia, liderança autoritária, assédio moral e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional são exemplos claros que, sob a ótica da NR-1, precisam ser tratados.

2. O papel da Inteligência Emocional

A Inteligência Emocional, conceito popularizado por Daniel Goleman, refere-se à capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar nossas próprias emoções e as do outro. Ela se divide em cinco pilares fundamentais:

  1. Autoconhecimento: reconhecer os próprios gatilhos emocionais
  2. Autocontrole: gerenciar emoções impulsivas sob pressão
  3. Automotivação: manter o foco apesar dos obstáculos
  4. Empatia: compreender o estado emocional do outro
  5. Habilidades sociais: saber interagir com o outro, diminuindo conflitos e promovendo a colaboração

3. A Inteligência Emocional como ferramenta para diminuir os riscos

A aplicação da Inteligência Emocional impacta diretamente a redução dos riscos psicossociais exigida pela NR-1 de três formas principais:

A. Liderança e clima organizacional

A norma exige que a organização promova um ambiente seguro. Líderes com alta Inteligência Emocional conseguem identificar quando um membro da equipe está sofrendo com sobrecarga ou problemas emocionais antes que isso se torne um afastamento médico. A liderança empática reduz o risco de um dos principais vilões da saúde mental: a gestão abusiva.

B. Gestão de conflitos

Conflitos interpessoais não resolvidos são fontes geradoras de estresse crônico. Lideranças emocionalmente inteligentes possuem a habilidade necessária para resolver disputas de forma assertiva, impedindo que tensões evoluam para casos de assédio ou ambientes hostis.

C. Resiliência e adaptação

A NR-1 foca na melhoria contínua. Em um ambiente de constantes mudanças, a Inteligência Emocional permite que a liderança lide melhor com frustrações e pressão sobre a equipe, reduzindo a incidência de adoecimento.

4. Integrando a Inteligência Emocional ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)

Para cumprir a NR-1 com excelência, as empresas devem ir além da norma técnica. A integração da saúde mental no inventário de riscos e no plano de ação deve considerar:

  1. Treinamento comportamental: capacitar gestores e equipes em comunicação não violenta e gestão emocional
  2. Canais de escuta: criar espaços onde o trabalhador se sinta seguro para expressar sofrimento emocional sem medo de represálias
  3. Avaliação de clima: utilizar indicadores de bem-estar como parte do monitoramento da exposição a riscos psicossociais

5. Benefícios jurídicos e econômicos

Além do cumprimento legal da NR-1, o investimento em Inteligência Emocional traz retornos tangíveis:

  • Redução do absenteísmo: menos faltas por transtornos mentais
  • Diminuição do presenteísmo: o trabalhador está presente, mas sua mente não. A Inteligência Emocional contribui para foco e produtividade
  • Prevenção de passivos trabalhistas: ambientes psicologicamente saudáveis reduzem processos por danos morais ou doenças ocupacionais

6. O desafio da implementação

Ainda existe um descrédito sobre a expressão dos sentimentos no ambiente corporativo. No entanto, a NR-1 modernizada nos obriga a tratar o risco psicossocial com o mesmo rigor técnico que tratamos o risco de queda ou choque elétrico. Em 2026, deve-se considerar o fator humano e suas emoções.

Nesse contexto, a Inteligência Emocional não é mais um diferencial, é uma necessidade de conformidade e sobrevivência. Ao alinhar o desenvolvimento humano com as exigências da NR-1, as empresas não apenas evitam multas e sanções, mas constroem uma cultura de cuidado genuíno com as pessoas.

Perguntas e respostas sobre Inteligência Emocional e NR-1

A NR-1 obriga as empresas a tratarem riscos psicossociais?
Sim. A NR-1 determina que todos os riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais, devem ser identificados, avaliados e controlados.

A Inteligência Emocional substitui medidas técnicas do PGR?
Não. Ela complementa as medidas técnicas, fortalecendo a prevenção por meio do comportamento, da liderança e do clima organizacional.

Liderança emocionalmente inteligente reduz riscos legais?
Sim. Ambientes mais saudáveis reduzem afastamentos, conflitos, assédio e passivos trabalhistas.

Treinamentos comportamentais ajudam no cumprimento da NR-1?
Sim. Eles são ferramentas práticas para prevenir riscos psicossociais e fortalecer a cultura de segurança e cuidado.

Quem é a palestrante

Marcia Gonçalves é especialista em Neurociência do Comportamento. Ajuda líderes e empresas a compreenderem a relação entre Clima Organizacional, Inteligência Emocional e Alta Performance. É palestrante da apresentação “Equipe não é uma planilha, é emoção. E o líder, também.”, conectando ciência, comportamento humano e exigências legais do ambiente corporativo.

Escrito por Marcia Gonçalves
https://gestaodepalestrantes.com.br/perfil/marcia-goncalves/

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